Billy, eu te amo (Smashing Pumpkins no Lolla)

No auge da minha arrogância jornalística que incluia sofá, canal BIS e laptop, estava pronto para descer o sarrafo em mais um show dos Smashing Pumpkins pós-apocalipse, ou melhor, “Oceania“. Antes de divulgarem os primeiros set lists na América Latina, já podia imaginar Billy, ops, William, disparando as faixas do “Monuments of an Elegy” uma a uma sobre os ouvidos de fãs afoitos por “Today“, “Disarm” e, quiçá, “Bullets with Butterfly Wings“. Vi que a intenção era das melhores: o set list do Lolla confirmou hits para todos os gostos, ou melhor, para o gosto do verdadeiro fã, incluindo os 3 acima citados.

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Até onde vai o amor que nutrimos por um ídolo? Foi só William Corgan subir ao palco desajeitado como sempre e feliz como nunca e emitir os primeiros acordes da inconfundível “Cherub Rock” que resolvi deixar minha pretensa imparcialidade de lado. Em suma, paguei pau. Mesmo. Pus o canal 120 no talo aqui em casa e enchi o copo com aquela cerva gelada. A crítica que se foda, vou é curtir. Nada de Smashing Pumpkins no estilo “bandinha de festa”, com cozinha do Killers e Rage Against. O que eu vi ali me emocionou demais.

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30 reais. Foi a fortuna que eu, um pirralho de 14 anos paguei pelo cd com aquele encarte gordo chamado “Siamese Dream“. Fora as dezenas de bootlegs super maneiros de shows que eu só podia sonhar em ir algum dia (pois é, continuo sonhando). “Mayonnaise” era minha preferida, até tirava no violão, imitando a voz de “dobradiça” de Billy (segundo a minha mulher). Volto para o Autódromo de Interlagos. Mal posso acreditar: a premiadíssima “Tonight, Tonight“, o single com lados b que eu mais amei na vida com a “Rotten Apples” que uma vez traduziu a eterna solidão adolescente, juntando moedas para adquirir aquele cd duplo caríssimo “Mellon Collie and the Infinite Sadness“. Mas não tinha nada de tristeza infinita, eu era feliz e não sabia!

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Ao contrário do que todos esperavam, o William que se apresentou no Lollapalooza estava radiante, apesar da morte de sua gatinha e de ninguém aparentemente ter se lembrado do seu aniversário. “Como eu estou bem para alguém de 28 anos, não acham?” O senhor de 48 anos brincou. Mas na verdade, eramos todos nós, os fãs dessa banda que nunca acabou que estávamos nos sentindo mais jovens, esperançosos e satisfeitos por esse senhor esquisitão cheio de manias e egotrips, com projetos cada vez mais malucos, ter mantido viva e pulsante uma das mais atemporais bandas de rock do mundo. Despite all my rage, I’m still just a rat in a cage…

Kiko Loureiro Music Business

Corgan retorna para um solo solitário e generoso de “Today“. Acolhe os aplausos para si. Today is the greatest day I’ve ever know. E será, enquanto você estiver por perto, nos brindando com pérolas como “Being Beige” e “Drum and Five” ou em meio aos solos inacabáveis como em “Pale Horse“, sua marca registrada.

Who wouldn’t stand inside your love? Billy Corgan, eu te amo cara.

E você, também amou o show? Conta pra nós!

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