Moda e Música com Isa Menta: David Bowie e o Glam Rock

Oi, gente! Isa Menta aqui para apresentar mais um Moda e Música, o quadro que irá unir os dois universos através de histórias de bandas, curiosidades de artistas, indicações de músicas, filmes e muito mais associado à cultura pop no “Esse Tal de Rock and Roll”.

No quadro de hoje, decidi trazer um tema que voltou para as passarelas há algum tempo e também esteve presente de uma maneira bem forte em alguns momentos do rock. Você já ouviu falar da moda de androginia?

Caracterizada pela soma das palavras andro (homem) e gyne (mulher), o termo designa a mesclagem de elementos dos dois gêneros, ou seja, de pessoas que se identificam com comportamentos e sentimentos tanto masculinos, quanto femininos. Além de ser um fenômeno cultural, a androginia esteve muito em alta no Glam Rock como forma de liberdade e identificação. Este, por sua vez, apesar de não ter tido apenas um nome, apresentou como principal referência David Bowie e, portanto, sua persona Ziggy Stardust, que trouxe para a música uma identidade visual muito forte através dessa dualidade entre gêneros.

Mesmo não sendo o único personagem de Bowie durante toda sua trajetória, pode-se dizer que Ziggy trouxe uma espécie de “virada de chave” para o mesmo, tanto por se desprender das amarras hippies até então vigentes na imagem de David, quanto por incorporar diversas referências que rondavam o mundo na década de 70, fazendo com que os homens do período incorporassem elementos femininos ao seu lifestyle sem que duvidassem de sua própria sexualidade e masculinidade. Incrível pensar como ele fez isso de forma tão natural, apenas com o intuito inicial de trazer uma mensagem de esperança (pelo menos para seus colegas que também eram artistas e se sentiam presos em si mesmos).

Uma curiosidade que eu queria trazer aqui foi que o nome Ziggy Stardust surgiu por conta de uma alfaiataria chamada “Ziggy’s Taylor Shop” (olha a moda aí de novo!) e acabou unindo o útil ao agradável, já que remetia ao Iggy Pop (rockstar muito próximo de Bowie) e Vince Taylor, uma das grandes inspirações do artista. É até engraçado perceber isso, já que tudo parece ter ironicamente caminhado com uma naturalidade quase que milimetricamente calculada para que se desse lugar à essa persona e ela alavancasse ainda mais a carreira de Bowie. Numa vibe que visava “perder o contato com a realidade”, Ziggy trazia um cenário consigo de um mundo pré apocalíptico por conta da falta de recursos naturais, sendo imensamente adorado pelos fãs e considerado um deus alienígena vindo de Marte.

Aproveitando tudo isso, sua banda foi batizada com o nome Ziggy Stardust & The Spiders from Mars, traduzindo todo o conceito do personagem. Através de sua androginia e dos elementos futuristas de seu vestuário, Bowie também era um grande apreciador do Japão, incorporando o país em seu figurino na segunda metade da turnê de 1973 com os 7 looks produzidos pelo estilista japonês Kansai Yamamoto. Inspirações do teatro Kabuki também se fizeram presentes, principalmente pra quem conhece o icônico raio na testa que acreditem ou não, levava duas horas para fazer e ficou estampado na capa de Alladin Sane, último disco de Ziggy.

Para vocês terem uma breve noção de todo esse futurismo, Bowie já estava muito a frente de seu tempo quando foi o primeiro rockstar a se declarar bissexual (e não para por aí)! De acordo com certas lendas que rondam toda essa história, algumas pessoas dizem que David Bowie conheceu sua esposa Angela porque estavam ficando com o mesmo cara.

Hoje em dia, muito se fala sobre o conceito de família e já no Glam, pôde-se perceber como os dois personagens alcançaram um novo padrão comportamental que para todo aquele contexto ainda era tabu. Enquanto Bowie se apropriava de elementos femininos em seu vestuário, Angie utilizava dos masculinos para marcar sua presença, formando um casal totalmente “fora da caixinha” para o cenário. Juntos, se consagraram como uma das mais reconhecidas inspirações fashion quando o assunto foi e ainda é a androginia.

No contexto musical, David Bowie produziu sucessos como “Starman”, “Moonage Daydream”, “Ziggy Stardust”, “Rock’n’roll Suicide” e “Life on Mars?”, escrita em 1971 e lançada em 1973 com uma crítica bastante inteligente para o rebuliço que a corrida armamentista causou através de sua visão de fora do mapa, ou seja, alienígena. Lembrando que Ziggy representa Marte, ele questiona em sua música se há vida pensante na Terra, já que toda a repetição em massa de notícias levaria ao esvaziamento de sua importância segundo ele.

A morte de Ziggy trouxe dúvidas quanto à sua motivação. Alguns dizem que Bowie cansou de interpretar um personagem sempre. Outros falam que a gravadora se recusou a financiar novos shows pelo fato de David ter extrapolado em mais de 300 mil dólares o orçamento de sua turnê. O que se sabe é que mesmo com a morte de sua persona, o artista conseguiu se tornar um nome muito importante não só para a música (como vimos), mas também para a moda. Se de um lado ele repousou em paz, de outro, sua androginia esteve mais do que nunca desperta nas passarelas dos últimos anos.

E você, já tinha ouvido falar da moda andrógina assim? É do time que curte o estilo diferenciado do Bowie ou prefere se ater a usar e deixar as peças “cada uma no seu quadrado”, sem misturar muito? Eu sou a Isa Menta e esse foi mais um Moda e Música, o quadro que irá unir os dois universos aqui no “Esse Tal de Rock and Roll”. Aproveito para lembrá-los de me seguir lá no instagram @isaamenta! Até a próxima!

Ouça novamente o quadro Moda e Música da Isa Menta no #essetalderockandroll

E você, também curte a era do Glam-Rock, bem como o nosso camaleão David Bowie? Diga pra gente aí nos comentários!

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