Aprendendo a viver com Mary Kils

Aprendendo a viver com Mary Kils

Tendo relatado aqui recentemente toda a empáfia e a superficialidade dos tiktokers, é um alívio perceber que ainda temos, principalmente no mundo artístico, massa cinzenta para nos trazer novidades e, porque não, outras visões de mundo. No caso da cantora francesa Mary Kils, que volta a aparecer por aqui desde que se tornou minha amiga virtual, é muito mais do que isso: apesar de ter um sugestivo “Kils” no sobrenome, só o que ela faz, por meio da sua arte e do seu jeito doce e generoso de lidar com as pessoas, é nos ensinar a viver. Mary Lives. “Sou apaixonada pela vida, sou apaixonada pela beleza…a verdade, se existe, onde“, resume Mary a ponto de entoar um mantra.

Dessa vez, conversei com ela em português para que mais pessoas por aqui possam conhecê-la sem recorrer ao Google Translator. Mary é uma artista que passeia por gêneros diversos, como rock, new age e música romântica, sempre buscando a identidade do seu som. Como vantagem nesta trilha, ela dispõe de uma humildade assombrosa, não só assimilando feedbacks com maturidade, como aplicando dicas que julga válidas em seu próprio trabalho. Na ocasião desta entrevista, ela lançava mais um single instigante “Long Silence”, uma forte carga melódica que lhe desperta memórias afetivas.

Defensora da natureza

Um elemento recorrente no visual e nas letras de Mary Kils é, sem dúvida, a mãe natureza. Em relação ao tema Amazônia, por exemplo, que envolve tanto Brasil quanto a França (inclusive porque temos por aqui a Guiana Francesa) ela prefere ser otimista e não se aprofundar no que entende como motivações políticas.

(…) Cada um de nós tem o poder de sensibilizar aqueles que nos rodeiam para agir e proteger a natureza, mesmo que nossos políticos tenham pontos de vista diferentes.

Mary Kils, sobre a disputa pela Amazônia

+ 2 6 toques sobre Mary Kils

RC – Olá Mary, bom ter você aqui novamente! Como você está?

MK –Olá Marcos, Muito obrigado pelo seu novo convite! É sempre um prazer estar com vocês, me sinto ainda mais perto do Brasil cada vez que estamos juntos. Como vocês sabem, o ep “ONE” saiu há alguns dias e deixou meu coração feliz. Então tudo está indo muito bem. E como você está ?

RC – Seu novo single “Long Silence” traz uma novidade que é o título em inglês. É um sinal de que teremos Mary Kills também cantando em inglês em um futuro próximo? Na última entrevista que nos deu, você havia deixado em aberto a possibilidade de cantar em inglês. 

MK – Quem sabe ? talvez algum dia 😉 Na verdade, o Spotify tem o princípio de escrever os títulos com letra maiúscula para cada palavra quando são em inglês, e apenas com letra maiúscula inicial para os títulos franceses. Como Long Silence é escrito de forma idêntica para essas duas línguas, eles escreveram dessa maneira. Ao editar ONE, percebi que apenas o título Long Silence carregava essa distinção… então pedi a modificação mas Long Silence já estava viajando há mais de um mês (sorriso). Pode ser um bom sinal, então por que não fazer uma música em inglês… Longo Silêncio com certeza ficaria muito bonito em brasileiro também.

RC – A letra de “Long Silence” de alguma forma traz uma memória sua? 

MK – Sim, fortemente. A letra foi escrita durante o estágio Rencontres d’Astaffort, nas instalações da Voix du Sud, um espaço que originalmente tinha sido a pequena escola de Francis Cabrel. Memória gravada para sempre na minha memória.

RC – Como tem sido a recepção do seu trabalho, levando em conta que você tem recebido atenção por parte de produtores de conteúdo brasileiros?

MK – Fiquei muito agradavelmente surpreendida com a recepção daí cada vez que enviei um novo título. As rádios, os descobridores, muita gente no Brasil compartilha com espontaneidade, com o coração… os produtores de conteúdo fazem com muito carinho.. gostaria de poder conhecê-los na “vida real” e agradecê-los, fora da internet… quem sabe um dia seja possível ☺

RC – Quando não está compondo, gravando, cantando e divulgando sua própria música na internet, como é sua rotina? Existem outras paixões na sua vida que não sejam a música? 

A rotina é algo que não gosto muito 😉 Mas é essencial para seguir em frente. Este ano, passei a maior parte do meu tempo aprendendo o funcionamento interno da distribuição de música, antes de passar para a autoprodução e comunicação via internet… Felizmente, tenho uma ótima equipe comigo! Isso me permite dedicar tempo ao meu trabalho, continuar conectada à minha natureza mais profunda. Sou apaixonada pela vida, sou apaixonada pela beleza…a verdade, se existe, onde 😉

RC – A relação entre Brasil e França se tornou tensa após a eleição de Bolsonaro. Como essa truculência, misoginia e desrespeito ao meio ambiente promovido por Bolsonaro prejudicou a imagem do nosso país na visão dos franceses?   

MK – Eu não acho que isso prejudicou sua imagem. Claro que queremos que a Amazônia seja preservada, assim como você sem dúvida quer, mas as apostas e os interesses financeiros são tão fortes que é difícil deter tudo o que vem acontecendo em nível global há anos. Cada um de nós tem o poder de sensibilizar aqueles que nos rodeiam para agir e proteger a natureza, mesmo que nossos políticos tenham pontos de vista diferentes.

Marcos Tadeu

Marcos Tadeu

Jornalista, idealizador e apresentador do Rock Cabeça na 100,9 FM, Rádio Inconfidência FM (MG) desde 2016. Acima de tudo, um fã de rock gringo.