20 anos do álbum do Oasis que marcou minha vida

Exatamente 20 anos atrás, eu era apenas mais um adolescente contaminado pelo brit-pop. Meu estado febril fazia com que eu ouvisse “Slide Away” até rachar os vidros da casa com meus falsetes desafinados e não deixasse uma fresta sequer do meu quarto descoberta pelos pôsteres mais diversos, entre os quais os dos irmãos Gallagher e as expressões mais carrancudas possíveis.

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Claro, tirei todas as músicas de “Definately Maybe” na guitarra e até dei uma de Liam cantando “Live Forever” em uma banda cover de Oasis, a malfadada Black Garden (não me perguntem o porquê do nome) – que teve a duração de 21 ensaios, uma demo tape vergonhosa e um show particular numa festa de aniversário. “Maaaaaybe…

A impressão que eu tinha era a de que o Oasis não precisaria ir mais longe do que aquilo: já tava bom demais!!! Pelo menos até o dia em que me deparei com um Oasis enxuto (Sem Guigsy e com novo baterista) interpretando “Morning Glory” no programa do David Letterman:

 

Caralho, eu pensei, os caras conseguiram de novo!!! Fiquei encantado com a síntese harmônica de “Morning Glory“: com pouquíssimos acordes, o Oasis soava como nada que eu já houvesse escutado antes. Para mim, eram até mesmo maiores que os Beatles. Claro, corri para a saudosa Urban Cave, uma loja de raridades que ficava na Aimorés, em BH e, como o álbum que mudaria minha vida ainda não estava disponível, comprei o single de “Morning Glory” em versão cardboard.

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Eu me lembro de segurar esse single pela primeira vez. Aquela logo em preto e branco que indicava alguns minutos a mais de pura epifania. A foto meio tosca, talvez improvisada. E 4 faixas impecáveis para qualquer fã de rock pirar:

  • Morning Glory
  • It’s Better People
  • Rockin Chair
  • Live Forever (Live)

Não demorou nem uma semana e a Urban Cave já tinha suas cópias de “(WHAT’S THE STORY) MORNING GLORY”, álbum que era comprado freneticamente por quem quer que adentrasse o estabelecimento, em meio aos bootlegs do Nirvana ou do cultuado “Pinkertown” do Weezer.

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Para você ter a dimensão do que senti quando inseri a nuca do Noel no meu velho cd player Philips, eu preciso resgatar um pouco daquele 1995. Afinal, eu nunca havia cheirado, fumado, bebido, muito menos perdido a virgindade. Música era não só a válvula de escape de um mundo totalmente hostil a mim, era a minha própria vida. E aí vem um “Hello“, do nada, e me pega em cheio com aqueles riffs na intro… “I don’t feel as if I know you…

Puta que pariu. 

Agora me bateu uma onda… Quanto tempo um cd não me faz sentir assim??? Chapado de prazer e louco de felicidade? Liam, meu Deus, que vocal estrondoso, assombroso, dá até medo …  Noel, “THE CHIEF”, de onde tira tanta inspiração para sacar da mesma cachola a porrada de “Morning Glory” e o hit eterno das rodinhas de violão “Wonderwall“???

Para um adolescente virgem, ouvir “Wonderwall” era a experiência mais próxima de qualquer transa. Já “Don’t Look Back in Anger” me fez acreditar no poder do rock and roll de arena, principalmente quando vi um Noel vigoroso a interpretando pela primeira vez, no Brit Awards de 1996:

Os 20 anos de “(What’s the Story) Morning Glory” são festejados não só porque se trata do segundo maior álbum do Oasis, mas porque a indústria musical nunca viu um produto tão coeso e, ao mesmo tempo, repleto do potencial de uma bomba atômica. Pena que os Gallaghers não souberam lidar com o efeito colateral do que viria a seguir, entregando, dali em diante, álbuns menos brilhantes.

Ou seria a qualidade superior de “(What’s the Story) Morning Glory” tão impossível de se alcançar?  Você decide!

PS: Ah, sim, eu transei algum tempo depois do lançamento do segundo disco do Oasis, e garanto que foi tão bom quanto a versão sem cortes de “Champagne Supernova“.

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Agora é sua vez: qual sua faixa preferida de WTSMG? Conta pra nós aí nos comentários e mantenha essa polêmica acesa!!!!

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  • Ciro

    Cara, perfeita a sua resenha. Parabéns, me identifiquei bastante. É impressionante o volume criativo de Noel na era MG, não só no álbum especificamente. Me dá um nó na cabeça imaginar que faixas como Its Good To Be Free, Half The World Away, Round Are Way, Talk Tonight, Headsrhinker e Rockin Chair foram simplesmente negligenciadas a b-sides, já que ganharam vida justamente numa fase pós-DM na qual Noel não segurava o impulso de entupir cada single (Whatever e Some Might Say, nesse caso) com 4 faixas FODA. Isso sem nem mencionar que The Masterplan e Underneath The Sky poderiam ter sido guardadas pro BHN. Enfim, voltando ao tópico, a melhor faixa do MG é, pra mim, aquela que poderia ter sido… rs. ACQUIESCE! Ela consegue simplesmente resumir todo o significado da banda, a energia, o equilíbrio entre os dois vocais, a atitude, os versos hipnotizantes e a coesão harmônica por trás da parede de som que fazem do Oasis o OASIS. Foi a música que fez eu sentir, através dos arrepios dos pés à cabeça e do breve descompasso respiratório proveniente de tanta excitação, que esse grupo estaria na minha vida pro resto dos meus dias. Ah! E Hello também merece ser mencionada, sem dúvida, que, além de ser a melhor faixa de abertura de todos os tempos (!!!), consegue proporcionar um deleite semelhante a um orgasmo (sem exagero, sério, escute essa faixa ao vivo com o som no talo pra você ver). HELLO, HELLO, HELLOOOOOOOOOOO! Cheers

    • Marcos Tadeu

      Bacana seu relato, Ciro…Os lados b do Oasis sempre foram todos fantásticos…

  • João Marcos Dias

    Muito bom o texto, Marcos. Parabéns! Tô curioso só pra ouvir essa demo tape da Black Garden…rs. Abraço.

    • Marcos Tadeu

      Valeu bosta…eu tb gostaria de ouvir …

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