LS JACK: sem medo de ser popular

LS JACK: sem medo de ser popular

Nem underground e nem mainstream. “O Ls Jack é uma banda popular“, define com precisão o frontman acidental Vitor Queiroz. Depois da passagem de vocalistas marcantes como Marcus Menna (que chegou a ter a carreira interrompida por uma parada cardiorrespiratória provocada por choque anafilático decorrente de alergia à dipirona) e até Vinny, sim, o mesmo de “Heloísa mexe a cadeira”, Vitor se viu no dilema de agregar os vocais ao baixo no que hoje é um trio completado por Bicudo (bateria) e Sérgio Ferreira (guitarra).

“Com a saída do Vinny em 2023, todos os vetores passaram a apontavam para mim“, lembra ele, que chegou a estudar e fazer aulas de canto – uma grande transformação em sua postura tanto no palco quanto no estúdio, que até então ele via como cômoda na função de baixista. “Eu nunca tinha pensado em ser o vocalista, sempre estive satisfeito só como baixista“. Mas de sessão em sessão de ensaio no estúdio, Bicudo e Sérgio se tornariam os principais incentivadores de Vitor na nova atribulação, que hoje o próprio encara como uma “benção”.

Vitor Queiroz em entrevista ao Rock Cabeça

Antes do LS Jack existir e ter esse sucesso comercial, sempre fomos nós três, amigos, tocando juntos.

Vitor Queiroz sobre a longeva parceria com Bicudo e Ferreira

Depois de surpreenderem público e crítica com a versão revigorada de “Garota Dourada” – canção de 1982 da Rádio Táxi – em alta voltagem nas playlists e charts de todo país, o LS Jack acaba de soltar uma versão com arranjos “a la” Strokes de um dos maiores clássicos do Biquini, “Vento Ventania”, que teve os metais da faixa original inventivamente substituídos pela bateria. O curioso dessa história toda é que o Biquini já havia feito recentemente uma versão para o maior hit do Ls Jack : “Carla”. A mudança proposta pelo LS Jack agradou os fãs: “essa se tornou uma das faixas mais aguardadas dos nossos shows“, detalha Vitor, que no momento da entrevista afirma ter acabado de tocar no Sertão. “Nós somos conhecidos e já tocamos em todos os cantos do Brasil“, brinca Vitor, sem falsa modéstia, pois a banda comemora 30 anos de existência no ano que vem.

Tanto “Garota dourada” quanto “Vento Ventania” fazem parte do novo e totalmente eclético EP “Canções que ficaram em nós”, que também já teve como marco do lançamento uma versão de “Cheia de Charme”, de Guilherme Arantes, elogiada pelo próprio como a “melhor gravação até hoje da música“. O momento que dividiram no estúdio com a lenda da música brasileira está registrado no Instagram do Ls Jack, e é arrolado por Vitor como um dos “pontos memoráveis” da atual fase da banda. Já o dvd gravado no Festival de Verão em Salvador, em 2004, foi eleito pelo músico como o ponto alto dos primórdios da banda carioca.

E ainda tem muita coisa boa por vir. Até dezembro, o power trio ainda lança “Sinônimos” de Paulo Sérgio Valle e José Augusto, cuja versão mais conhecida é da dupla Chitãozinho e Xororó, além de “Se” de um dos crooners mais famosos do país, Djavan. É o LS Jack provando que, quando se trata de ser popular, ela sabe fazer o seu dever de casa – e muito bem feito. Bom para o público, que poderá reviver em cada show ou trabalho a nostalgia de músicas que embalaram as FM’s numa época dourada em que o rádio ditava gostos e costumes, sem contar que batia de frente com a televisão e seus programas de auditório, nos quais LS Jack reinava soberano.

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Marcos Tadeu

Marcos Tadeu

Jornalista, idealizador e apresentador do Rock Cabeça na 100,9 FM, Rádio Inconfidência FM (MG) desde 2016. Acima de tudo, um fã de rock gringo.