LS JACK: sem medo da popularidade

LS JACK: sem medo da popularidade

Nem underground e nem mainstream. “O Ls Jack é uma banda popular“, define com precisão o frontman acidental Vitor Queiroz, a simpatia proporcional ao profissionalismo. Depois da saída de vocalistas renomados como Marcus Menna (que chegou a ter a carreira interrompida por uma parada cardiorrespiratória provocada por choque anafilático – o acidente comoveu não só fãs, mas o país) e até Vinny, sim, o mesmo de “Heloísa mexe a cadeira”, Vitor se viu diante do dilema de agregar os vocais ao baixo no que hoje é um trio completado por Bicudo (bateria) e Sérgio Ferreira (guitarra).

“Todos os vetores passaram a apontar para mim“, lembra ele, que chegou a estudar e fazer aulas de canto – uma grande transformação em sua postura tanto no palco quanto no estúdio, que até então ele via como cômoda na função de baixista. “Eu nunca tinha pensado em ser o vocalista, sempre estive satisfeito só como baixista“. Mas de sessão em sessão de ensaio no estúdio, Bicudo e Sérgio se tornariam os principais incentivadores de Vitor na nova atribulação, que hoje o próprio encara como uma “benção”.

Vitor Queiroz em entrevista ao Rock Cabeça

Antes do LS Jack existir e ter esse sucesso comercial, sempre fomos nós três, amigos, tocando juntos.

Vitor Queiroz sobre a longeva parceria com Bicudo e Ferreira

Depois de encantarem público e crítica com a versão revigorada de “Garota Dourada” – canção de 1982 da Rádio Táxi – por sinal em alta voltagem nas playlists e charts de todo país, o LS Jack acaba de soltar uma versão com arranjos “a la” Strokes de um dos maiores clássicos do Biquini, “Vento Ventania”, que teve os metais da faixa original inventivamente substituídos pela bateria “suingada” de Bicudo. O curioso dessa história toda é que o Biquini já havia feito recentemente uma versão para o maior hit do Ls Jack : “Carla”.

A versão roqueira proposta pelo LS Jack agradou os fãs: “essa se tornou uma das faixas mais aguardadas dos nossos shows“, detalha Vitor, que no momento da entrevista afirma ter acabado de tocar no Sertão. “Nós somos conhecidos e já tocamos em todos os cantos do Brasil“, brinca Vitor, sem falsa modéstia, pois a banda comemora 30 anos de pop-rock no ano que vem.

Vale destacar que “Garota dourada” e “Vento Ventania” fazem parte do novo e totalmente eclético EP “Canções que ficaram em nós”, que também já teve divulgada uma versão estilosa de “Cheia de Charme”, de Guilherme Arantes, elogiada efusivamente pelo próprio autor como a “melhor gravação até hoje da música“.

O momento que dividiram no estúdio com a lenda da música brasileira está registrado no Instagram do Ls Jack, e é arrolado por Vitor como um dos “pontos memoráveis” da atual fase da banda. Já o DVD (lembram dele?) gravado no Festival de Verão em Salvador, em 2004, foi eleito pelo músico como o ponto alto dos primórdios da banda carioca.

E tem muita coisa boa por vir pela frente. Além de uma tour nacional que já tem datas confirmadas até março de 2027, o power trio fecha o ano com o lançamento de “Sinônimos” de Paulo Sérgio Valle e José Augusto, cuja versão mais conhecida é da dupla Chitãozinho e Xororó, e “Se” de um dos crooners mais famosos do país, Djavan.

É o LS Jack provando que não basta se assumir popular, tem que saber fazer o dever de casa – e muito bem feito, como é do feitio desses músicos com mais de 30 anos de estrada. Bom para o público, que poderá reviver em cada show ou faixa lançada deste EP a nostalgia de músicas que embalaram as FM’s numa época dourada em que o rádio ditava gostos e costumes, sem contar que batia de frente com a televisão e seus programas de auditório, nos quais LS Jack reinava soberano. Próxima conquista? Já está traçada: os streamings.

E você, gosta do LS Jack? Conta pra nós sua música preferida aí nos comentários.

Marcos Tadeu

Marcos Tadeu

Jornalista, idealizador e apresentador do Rock Cabeça na 100,9 FM, Rádio Inconfidência FM (MG) desde 2016. Acima de tudo, um fã de rock gringo.