The Lemonheads no Rio (1997)

Parece ontem. O show de 97, no Imperator do Rio de Janeiro, pelo Skol Rock. “Lemonheads e Virgulóides”. Até então, a banda que havia se consagrado (injustamente) pela cover de “Mrs. Robinson”, era parte somente do meu sonho adolescente.

Nunca imaginei que um dia teria a esplêndida oportunidade de ver no palco a banda que amo.

A banda que parecia tão distante e desconhecida do Brasil.

Fui para o Rio apreensivo. Comia as unhas , gritava pelas ruas, pulava.

Fiquei hospedado na casa do meu tio jornalista, que tinha ingressos de graça e todo o esquema montado para ir ao show, que, segundo ele, seria tranquilo. Pegamos o táxi, chegamos ao Imperator, Zona Norte do Rio, se não me engano.

Na porta, um tanto de menores de idade que não puderam entrar por falta de idade. Uma sacanagem, ao mesmo tempo via aquele tanto de fãs com camisas como eu, e ao mesmo tempo me sentia como um traidor por ter conseguido entrar.

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Nem vi o show dos Virgulóides. Durante a apresentação, apareceram uns colegas do meu tio,de jornalismo. E , para o meu êxtase, começaram a conversar sobre as maluquices do Evan Dando no Rio. Não acreditava que estava ouvindo aquilo. Que o Evan é fã de Nieztche, que pulou de roupa no mar assim que chegou, e que era amigo desse colega do meu tio.

Meu tio, percebendo meus olhos brilhando já, apresentou-me ao colega. “Esse é o meu sobrinho, fã dos Lemonheads que veio de Belo Horizonte”. O colega se retraiu. Eu perguntei se aquilo era mesmo verdade, se ele conhecia o Evan Dando daquela forma. Ele confirmou. E , logo depois, fez a pergunta fatal: “você quer conhecê-lo no Backstage?”

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De repente me vi numa sala branca, ao lado do Fábio Massari, uns caras me pedindo para ficar quietinho (só depois entendi que eles temiam que eu fosse abraçar o Evan, gritar ou coisas típicas de mulher). A empresária da banda segurava a porta com uma das mãos. Perguntou para o povo da imprensa se queriam conversar com o Evan ou com a banda completa. Alguém resmungou que com a banda inteira seria menos chato.

Eis que a empresária abre a porta. O primeiro que sai, cara fechada, é o John Strhom, ex-guitarra dos Blake Babies. É o mais desconfiado de todos. Olhava para mim todo o tempo. Os outros dois integrantes, meio amorfos. Sentam-se no sofá também branco.

E aparece o Evan por último. O Evan que sempre esteve apenas na capa dos discos. Estava ali, ao vivo. A voz que escutei a vida inteira.

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Ele não anda. Escorrega com seus sapatos esquisitos. Improvisa o cigarro com o suco de laranja, coisa que ele ia fazer também no show, mostrando a todos que podia tomar suco e fumar ao mesmo tempo. Está bronzeado, com mais ou menos 1,75 de altura. Junta-se aos companheiros e dita ordens aos jornalistas, aparentemente sem paciência.

A entrevista começa, quer dizer, tenta começar. Ele só responde merda. Fala seriamente de suas experiências com óvnis. Quando lhe perguntam sobre as novidades do último disco, ele responde, irônico, que eram as “músicas novas”. Lembro que, depois, nada desse material seria utilizado pela MTV.

No meio do falatório, ele implica com uma garota atrás de mim. Todo mundo entrou em pane, achando que eu tinha sido descoberto. Mas ele só queria dizer que ela não estava bem humorada. No intervalo da entrevista, ele se levanta para pegar mais suco, notavelmente chapado.

É aí que o colega do meu tio arranca o caderno e a caneta Bic da mão e passa para ele. Displicentemente, ele assina alguma coisa esquisita. Saio correndo dali, carregando meu “troféu” e surpreso por ter visto que o vocalista da minha imaginação era feito de carne e osso (e um pouquinho de drogas).

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Esse foi o autógrafo de Evan Dando

 

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