Supergrass: um final mal resolvido

Imagine que você está no meio de uma ótima festa e, de repente, começa a flertar aquela garota linda e exótica perto do bar. Um drink a mais, outro a menos, a pista de dança, e lá está ela, exuberante, jogando as longas madeixas para trás enquanto se esbalda ao som de “Some girls are bigger than others“. Você arrisca uma aproximação.

Resolvem ir para um canto menos barulhento e, conforme a madrugada avança, vocês se pegam e ficam até não se darem conta de que horas são. Repentinamente, a mina precisa ir embora, mal se despede e atravessa a porta, deixando você com a sensação de que nunca mais a verá. E nunca mais a vê, mesmo.

O mesmo feeling têm os fãs do Supergrass em relação ao fim da banda, em 2010. Justamente na hora em que a coisa tava ficando boa, eles resolvem sair de cena, mais do que nunca, “ending on a high note“, deixando um vazio jamais preenchido no história do rock alternativo. Digo isso porque, ao longo de sua curta existência compreendida em 6 álbuns e uma coletânea, entre 1993 e 2010, o Supergrass amadureceu o seu som incrivelmente, deixando para o final duas verdadeiras obras-primas do rock, nas quais suas influências dos anos 70 (John Lennon, Beatles, Stones e Bowie) estavam mais pronunciadas do que nunca:

  • Road to Rouen (2005)

  • Diamond Hoo Ha (2008)

Agora me diga: ao assistir a esses dois vídeos, você se lembra do hit que catapultou a carreira do Supergrass, lá pelos idos de 1993? Sim, estou falando de “Alright“, faixa do disco de estreia “I Should Coco” que não parava de tocar na MTV e foi responsável pela vinda dos britânicos ao Brasil para uma apresentação no Hollywood Rock, abrindo para ninguém menos que os Smashing Pumpkins no auge da formação clássica.

O melhor de tudo é que a “aventura” do Supergrass no país tropical está devidamente documentada no imperdível dvd duplo: “Supergrass is 10: The Best of Supergrass”, que mostra os ingleses jogando uma pelada na praia de Copacabana e a apreensão do vocalista Gaz ao transitar pelo país, imaginando que seria sequestrado a qualquer momento.  

Quem assistiu aquele show do Hollywood Rock, ao pôr do sol, inteiramente baseado nas músicas de “I Should Coco” lembra do Supergrass como uma musa que acaba de entrar no salão, cheia de sensualidade. Gaz suando em sua camiseta havaiana, e a plateia indo ao delírio naquele calorão. Saudade…

Você pode até não saber, mas o Supergrass, teoricamente, é parte do movimento brit-pop (que incluiu Oasis, Blur, Suede e Pulp, entre outros). Mas graças à (in) genuinidade e senso de humor inerentes aos seus integrantes, o Supergrass conseguiu, logo de cara, destacar-se do movimento (que em sua essência era muito mal humorado) e garantir um lugar no peito de cada um dos fãs que esperam, até hoje, ver de novo aquela mulher da noite inesquecível adentrar o salão.

Para os inconsoláveis, fica a dica do segundo disco solo de Gaz (que tira uma onda com Bowie na capa):

gaz-matador-rock-cabeca

O álbum é muito bom….mas, infelizmente, ainda não é Supergrass. : /

E você, também tem saudade dos caras? Qual álbum do Supergrass curte mais? Conta pra nós através dos comentários!

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  • http://www.luisbittencourt.com Luís Bittencourt

    Curto todos os álbuns, essa banda é uma bela síntese entre criatividade (harmônica, melódica, rítmica, timbres, letras) e energia, algo essencial no rock. Já os assisti em SP no Campari Rock em 2006 e recentemente pude assistir o Gaz Coombes no Hyde Park em Londres. Ambos excelentes. É uma pena que banda tenha terminado.

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