Meu querido Lennon

Querido Lennon,

Eu sei, eu sei que estou um pouco atrasado para mencionar aquele que seria o seu aniversário de 75 anos. Mas não pense que eu me esqueci da data. Todo mês de outubro é a mesma coisa, vai dando aquela gastura no peito e eu logo me pego escarafunchando reportagens e livros que não fazem muito além de deixar bem claro que você se foi.

Você provavelmente não sabe, John, mas hoje eu tenho um site sobre rock. Sim, parece previsível, não? Mas a verdade é que essa é a primeira vez que falo diretamente sobre você por aqui. Assim como seu aniversário de 75 anos me dá calafrios na espinha, sempre tive medo de confabular a seu respeito. Quero dizer, por onde começar? Pelo homem, artista, beatle, ativista, pai? Sua biografia também não facilita, John.

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Já que John Lennon é abrangente demais para qualquer post que se preze, vou falar apenas do meu querido Lennon. Aquele que eu descobri há mais de dez anos, no documentário da gravação do álbum “Imagine”. Meu querido Lennon discursava na cozinha com um fanático pelos Beatles. E como parecia sereno. Extremamente consciente. Como se o universo girasse em seu redor.

Percorri toda sua discografia, meu querido Lennon. “Imagine” se transformou em mantra e cada verso, um mandamento. Deixei que o niilismo de “God” me afetasse e tantas vezes verti lágrimas assistindo ao seu vídeo para “Mind Games”, em que você se diverte no Central Park com seu uniforme de militante. Pensava em como eu gostaria de estar ali. Em “Watching the wheels“, com seus filmes caseiros, eu já me preparava para o pior: o pai de família que aprendeu o valor do lar após a beatlemania estava prestes a nos deixar.

Como escrever sobre alguém que está presente em tudo que faço? Meu querido Lennon, John Lennon, você está no meu chaveiro do carro, na minha geladeira, na parede da sala, nas estantes de livros e de cd’s, na caneca que uso no trabalho, na camiseta puída de tanto eu usar. Imaterialmente, você não só é meu maior ídolo musical, mas também uma inspiração para o tipo de jornalismo prestador de serviços que eu gostaria de fazer, você é a pitada de sarcasmo que eu insisto em jogar nos meus textos, você é o rabisco minimalista com o qual pretendo marcar minha vida.

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Você, meu querido Lennon, é o pai dedicado anotando listas de compras no supermercado que um dia ainda quero ser. É o porra-louca bêbado sem medo de quaisquer julgamentos que sempre persegui. É o homem que não tem pudor em amar quem quer que seja, ainda que a paixão vá de encontro a tantas convenções. É o soldado que vive e morre por uma causa mais nobre que todo o sucesso do mundo pode conceber.

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Eu sei, meu querido Lennon. Você nos mandou seguir em frente. Mas a cada aniversário, fica cada vez mais difícil conceber sua ausência gritante. 75, afinal de contas, é apenas um número mais interessante que 74, mas você não precisa de simbolismos para acessar o coração partido de um fã.

We all shine on.

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  • Alexandre Santos

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