Arnaldo Baptista: o Brian Wilson brasileiro

Na faixa “I just wasn’t made for these times“, do antológico “Pet Sounds“, um jovem Brian Wilson tão genial quanto desiludido desabafa que talvez ele não tenha sido feito para aqueles tempos. Estamos falando dos anos 60, e desde então Wilson, líder e principal letrista dos Beach Boys já se sentia deslocado em relação ao status quo da época.

Após altos e baixos, a perda dos irmãos Dennis e Carl, os velhos problemas com as drogas e a luta (que dura até hoje) contra a esquizofrenia, pode-se dizer que Brian Wilson, por incrível que pareça, é um sobrevivente que, graças ao cuidado de 24 horas por dia da sua mulher, retomou a produtividade, o prazer pela vida e, entra ano e sai ano, não deixa de nos brindar com um grande álbum ou relançamento de alguma pérola do catálogo dos Beach Boys, sem contar as homenagens que recebe pelo conjunto da obra de gente do quilate de Neil Young e Elton John.

Da América do Norte, pulamos para o Brasil. Mais precisamente, a capital mineira, Belo Horizonte. Num prédio da zona centro-sul de poucos andares cercado por árvores, folhas secas na calçada e senhoras de meia idade empunhando poodles, sou recebido no refúgio de um dos maiores artistas brasileiros das últimas décadas. Quem me abre a porta é Lucinha, mulher, amiga, empresária, social media, e o que mais vier pela frente. Desde o início e desde sempre, não importa que o assunto principal seja sempre Arnaldo, como se comemorasse, no seu canto e ao seu próprio jeito, cada passo do ex-Mutante.

Arnaldo aparece em seguida, na maior naturalidade possível. Como profissional obediente, posta-se na cadeira para me atender. Quem dita a pauta do dia é Lucinha, ele apenas executa, com a graciosidade de uma criança. Entre um autógrafo e outro nos discos com que me presenteia, Lucinha orienta para que ele não deixe borrar o encarte com a caneta pilot que ela reservou para a ocasião. “Opa, desculpe, sujou”, Arnaldo comunica, o rosto apreensivo. O gesto metódico que consiste em Lucinha segurar o encarte para que Arnaldo autografe, sem borrões, revela um carinho que jamais testemunhei em minha vida.

O doce e calmo odor de incenso é uma inspiração à parte. Pode tirar uma foto nossa, Lucinha? Como uma diretora do set, ela instrui onde devemos sentar, contra a luz. Arnaldo, sempre obediente, segue o protocolo. Não deixa de sorrir. Aponto, para ele, a foto que ilustra o novo box: Você se lembra dessa foto, Arnaldo? No que ele, sem pestanejar, diz que não se lembra, mas que sua sobrinha havia dito que hoje ele estava bem melhor. Pela casa, obras do artista plástico se misturam com os cômodos da casa. Dezenas de plugues se transformam em um quadro. Desenhos, muitos, que lembram as caricaturas de John Lennon. Comento com Arnaldo a semelhança. Ele, empolgado, conta a Lucinha.

É hora de ir embora. Arnaldo se despede. Olha minha camiseta e repete o que está escrito “Definitely, Maybe“. Percebo o interesse. Digo que se trata do primeiro disco do Oasis. Ele abre o largo sorriso: “Oasis???Ahhhh, conheço!”.  Não, Arnaldo, na verdade, são os irmãos Gallagher que o conhecem, pois é você que, como Brian Wilson, sempre esteve à frente do seu tempo.  Pode crer…

arnaldo baptista

Novo box de Arnaldo Baptista

Já imaginou todos os álbuns reunidos numa caixinha só?

    • Loki
    • Singin Alone
    • Elo Perdido
    • Faremos Uma Noitada Excelente
    • Let it Bed

Pois é, os fãs de Arnaldo Baptista, a cabeça mais brilhante da banda que revolucionou o rock brasileiro e mundial, os Mutantes, acabam de ganhar um presentão: o boxe de luxo com 5 cd’s da carreira solo do músico, em formato digipack. Confira a reportagem completa que foi ao ar em fevereiro na Rádio Inconfidência:

 

Arnaldo Baptista fala sobre o box, disco a disco:

Arnaldo topou o desafio de resumir a história de cada um dos álbuns que compõem o box especial. Confira abaixo:

box arnaldo baptista

E se você quer saber mais sobre a carreira do Arnaldo Baptista, dá só uma olhada na bela crítica que o amigo Luiz Felipe Carneiro, do canal Alta Fidelidade, fez sobre o documentário “Loki”:

E aí, você já comprou seu box, já viu o documentário? Qual seu disco favorito desse artista incrível? Conta pra nós através dos comentários. Ah, e quer ler mais sobre Arnaldo Baptista? Talvez se interesse por este post aqui. E não perca: em breve, mais entrevistas do Arnaldo Baptista na Brasileiríssima, Inconfidência FM!

mutantes rock cabeca

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