A-ha no Rock in Rio: Noite de lágrimas e nostalgia

Quando o show do A-ha no Rock in Rio começou, por um instante fechei os olhos. Eu me imaginei em 1989, sentado sobre as caixas de som da minha vitrola, com a capa de “Scoundrel Days” nas mãos. É que, depois de tantas repaginações de seus clássicos, o A-ha preparou uma surpresa que só os verdadeiros fãs entenderiam: as versões originais. Sim, todas foram apresentadas tal como estão nas bolachas: o “Cry Wolf” com a intro indecifrável de Morten, o solo interminável de “I’ve been Losing You”, os trovões de “Stay on these roads” (até então, exclusivamente acústica). “Move to Memphis” antes do remix…Só “You are the One” ganhou nova roupagem, que, sinceramente, achei muito melhor e menos primária…

O set list me deu impressão de ouvir algum dos tantos “The Best” deles, dúvida dirimida com a inclusão de “Forest Fire”, um rascunho de “Take on Me”:

Setlist-A-ha-Rock-in-Rio-2015-rock-cabeca

Os melhores reclamarão: o show está no piloto automático, meu caro! Eu sei, não tem sido fácil para o A-ha, com ou sem kits ao redor do país… Pra piorar, a chuva não deu trégua e travou ainda mais o tímido Morten (56 anos, gente!), que em poucos momentos se desvencilhou do tique clássico de ouvir o seu retorno no ponto – e não fez questão alguma de tirar os óculos. Sobrou para Mags, como sempre, o papel de levantar o público e tentar algumas frases em português. Já o público do gargarejo se debulhava em lágrimas…e chuva! Lindo…

VEJA AQUI COMO FOI O SHOW DE RIHANNA NO ROCK IN RIO 2015

Mas o fato é que, hoje, o A-ha é um artista solitário no cenário pop dominado por dubs, cantoras estereotipadas e canções encomendadas  – aliás, Ryan Tedder teria muito a aprender só de assistir aos noruegueses. Foi-se o tempo em que a música pop era calcada unicamente em músicas bem escritas e, vá lá, um ou outro músico bonitinho. As moçoilas de hoje são incapazes de reconhecer o vigor de um “Take on Me” ou “Manhatan Skyline”, mas aderem fácil, fácil ao balanço artificial de um Justin Bieber, por exemplo.

O show, em si, foi compacto, pois o A-ha não foi o headliner – uma anomalia que não deve ser perdoada… Mas enquanto os novos nomes como Rihanna sobem ao palco para cumprir as cláusulas mínimas de um contrato, com hits cortados pelo meio e playbacks, o A-ha mostrou que competência não se determina por tempo de duração do espetáculo, mas sim pela força das canções – ainda que a maioria delas tenha mais de 30 anos.

take-on-me-rock-cabeca

 

E você, o que achou do show do A-ha no Rock in Rio? Conta aí nos comentários!

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  • Fábio Soares

    Simplesmente espetacular! #aha30 #ahaforever

  • Leticia Penteado Gaspar

    As melhores nunca ficam velhas. Perfeito como sempre.

  • Alexandre Santos

    Otima critica

  • Luiz Fernando

    Falou tudo.

  • Adriana Treu Ramos

    Foi lindo, nostálgico, com direito a chuva! Valeu totalmente! #aha30anos #aharockinrio2015

  • Priscila Ruiz

    Lindo! Espetacular como sempre!
    Amooooo
    A-Ha #Forever E que voltem logo ao RJ. Estou esperando❤

  • Rose Dourado

    O melhor do RIR. Os melhores SEMPRE. Música de QUALIDADE, e bota QUALIDADE nissso. Não tem pra ninguém. São como os vinhos…Lindos e Gostosos e que só quem tem bom aprecia kkk <3

  • Flávia Laurinda

    O que é bom só melhora com o tempo!!! e o amor dos fãs só tende a aumentar… =)

  • Riva Lima

    O que uma música deve fazer, além de nos levar à nostalgia e alegria? É exatamente o que o trio faz. Eles não se acham boy bands, mesmo que no início da carreira, eles eram estereotipados de trio bonito que faz música, mas mostraram que são competentes ao extremo em tocar ao vivo e emocionar desde sempre. Eles são cinquentões, mas ainda dão aula pra muita banda nova por aí, bandas até já consagradas, feito Coldplay, Keane, entre outras. Não precisam mais sair correndo em palco, mostrando algo que não são. Não precisam fazer macaquices nem poses pra mostrar que estão na fita. A música deles é limpa, fala de paixão e amor, ou alguma coisa que vc deva alcançar e nunca desistir. A música deles é aquela que do nada a gente lembra e começa a cantar na mente do início ao vim. Quando uma música faz isso com vc, vc vira um eterno nostálgico, que é isso exatamente o que a música deveria fazer. Não nos tornar macacos amestrados, como o pop de hoje diz que devemos ser, pra compensar a música burra que fazem hoje, jogam cores, objetos, coreografias em palco, pra que a gente não preste atenção em tanta porcaria cantada e tocada. E um disfarce. O a-ha não usa nenhum artifício pra chamar atenção, a música por si só já faz isso naturalmente. E o povo ainda gosta, de música que os emocione, não música que os façam idiotas. E o a-ha faz os ouvintes pensarem e a serem inteligentes através do que tocam. Não é isso o que a música e o artista deveria fazer? Nã emburrecer a platéia como as cantoras e bandas pop de hoje fazem na sua maioria, mas fazê-la ser cada vez mais apaixonada pela vida.

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